Corrupção X Fraternidade

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Corrupção X Fraternidade

Ivanaldo Santos (ivanaldosantos@yahoo.com.br)

Filósofo

Em um recente relatório a ONU apontou a corrupção como um dos maiores fatores que causam o subdesenvolvimento e toda forma de problema social. Os países mais afetados por esse grande problema são os países do terceiro mundo, incluindo o Brasil.

Paralelo ao relatório da ONU, atualmente vemos no Brasil um raro momento de consciência cívica e de combate à corrupção. Um momento carregado de dúvidas, de angústias e de protestos nas ruas. De um lado, existem grupos que afirmam que o Brasil sempre foi corrupto, que a corrupção é uma instituição nacional e que, por isso, nada mudará. Do outro lado, existem cidadãos que desejam, de fato, mudar o país, torná-lo mais fraterno, são pessoas que lutam por melhores condições de existência.

O Papa Francisco tem feito reiterados pronunciamentos condenando a corrupção. Por exemplo, na Bula Misericordiae Vultus, na qual ele convoca o Ano da Misericórdia, no parágrafo n. 39, ele afirma: “A corrupção impede de olhar para o futuro com esperança, porque, com a sua prepotência e avidez, destrói os projetos dos fracos e esmaga os mais pobres. É um mal que se esconde nos gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos. A corrupção é uma contumácia no pecado, que pretende substituir Deus com a ilusão do dinheiro como forma de poder. É uma obra das trevas, alimentada pela suspeita e a intriga”. Já na homilia de 4/6/2013, ele esclarece que “São Pedro foi pecador, mas não corrupto, ao passo que Judas, de pecador avarento, acabou na corrupção. Que o Senhor nos livre de escorregar neste caminho da corrupção. Pecadores sim, corruptos, não”.

Ainda sobre corrupção o documento A fome no mundo um desafio para todos: o desenvolvimento solidário, publicado pelo Pontifício Conselho Cor Unum, da Santa Sé, no parágrafo 37, afirma que é “sobretudo a corrupção que obstaculiza as reformas necessárias à busca do bem comum e da justiça, que caminham a par e passo. São numerosas as causas da corrupção. Esta constitui, em qualquer caso, um gravíssimo abuso da confiança outorgada pela sociedade a uma pessoa mandatária para a representar e que, pelo contrário, se aproveita de tal poder social para obter vantagens pessoais. A corrupção é um dos mecanismos constitutivos de numerosas ‘estruturas de pecado’ e custo que representa para o planeta é muitíssimo superior à quantia total das somas desviadas.”.

O cristão precisa compreender que a corrupção é um pecado que “clama a Deus” (Salmo 57, 2) e “clama por justiça” (Deuteronômio 33, 19). Por isso, um cristão não pode estar envolvido em casos e escândalos de corrupção.

Atualmente muitos grupos clamam para que sejam criadas novas e duras leis anticorrupção. Um clamor justo. No entanto, deve-se ter consciência que apenas a criação de leis não resolverá o crônico problema da corrupção no Brasil. É necessário educar as pessoas para uma vida íntegra, para o desenvolvimento com honestidade e a construção de relações sociais mais fraternas e sem corrupção.

Dentro desse quadro, a Igreja é convocada a estabelecer uma cultura da fraternidade, uma cultura que não seja meramente emocional e populista, mas que esteja voltada para o outro, para o mais próximo. A cultura da fraternidade visa retirar o homem do egoísmo e, por isso, afastá-lo da corrupção. Ela mergulha o ser humano na dimensão da genuína preocupação com as reais necessidades do outro, da comunidade e da pessoa humana. Por isso, além da criação de novas leis, para se combater a corrupção é necessário ensinar ao cidadão a ser fraterno.

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