Presença de Maritain – Testemunhos

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Presença de Maritain - Testemunhos

Presença de Maritain – Testemunhos

Coordenadores: Lafayette Pozzoli, Jorge da Cunha Lima – 1995, LTR.

A fundação do Instituto Jacques Maritain do Brasil partiu do grupo de pensadores vinculados a vários setores da sociedade brasileira, que na sua juventude participaram das primeiras manifestações de um movimento de renovação filosófica, espiritual e social, impulsionado pelo pensamento do extraordinário filósofo cristão deste século JOAQUIM MARITAIN. Nosso contato com a obra e a pessoa de Maritain, desde a década de 30, coincidiu com a tumultuada época dos conflitos ideológicos entre o socialismo soviético, o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini, de um lado, como formas totalitárias, e, de outro, as tentativas de implantação de formas de democracia a partir do respeito à liberdade da pessoa humana.

O confronto ideológico fez explodir a Segunda Guerra Mundial, prolongando-se de 39 a 45 e causando milhões de mortes. Foi a página negra da humanidade, maculada principalmente pelos horrores dos campos de concentração nazista. O ódio racista dizimou não só o povo judeu mas também outras populações indefesas. Fugindo à invasão nazista da França, Maritain e sua esposa Raissa exilaram-se nos Estados Unidos. E é de lá que Maritain assume como verdadeira missão a denúncia da perversão totalitária e a proclamação da visão humanista e cristã de uma forma democrática de organização da sociedade.

São dessa época as principais obras que publica, completando e aprofundando as linhas mestras de sua grande visão humanista da sociedade, já publicada em HUMANISMO INTEGRAL. Em 1945, pouco antes do término da guerra, publica CRISTIANISMO E DEMOCRACIA, obra pequena no tamanho, mas de grande significado para tornar clara e indiscutível esta verdade fundamental. “Em seu princípio essencial, essa forma e esse ideal de vida comum, que chamamos democracia, provém da inspiração evangélica e sem ela não pode subsistir.” Era necessário, sem dúvida, romper as últimas resistências burguesas entre os cristãos que pretendiam ainda defender formas autoritárias de organização política e social. Desse setores é que Maritain sofreu absurdas acusações quando teve de tomar posição contra o caráter ditatorial do regime do General Franco na Espanha.

Com o término da guerra concretizam-se os esforços das nações que compunham o Ocidente democrático para tornar realidade a Organização das Nações Unidas. Entre os primeiros projetos surge a preparação da Carta dos Direitos Humanos, como futuro compromisso de respeito aos valores fundamentais dos seres humanos por parte de todas as nações membros da ONU. Maritain foi convidado a participar de comissões preparatórias à redação do projeto. Era a realização do seu grande propósito, expresso no livro que publicara anos antes: OS DIREITOS DO HOMEM E A LEI NATURAL.

Faço essas breves considerações para demonstrar a atualidade do pensamento e das obras de Maritain para as pessoas de hoje refletirem sobre os graves problemas da nossa sociedade, no Brasil e no mundo, particularmente em relação ao respeito dos direitos humanos. E mais ainda em relação ao problema essencial de uma visão humanista da própria ordem social e política de cada nação. Especialmente as gerações mais jovens, que não conheceram a repercussão do pensamento de Maritain, em toda a sua trajetória, poderão hoje se beneficiar da riqueza da sua produção filosófica e política através da edição das suas obras completas, em 15 volumes, sendo os 2 últimos obras de Raissa que acaba de ser posta em circulação na Europa. Com o objetivo de torná-la acessível aos nossos meios universitários, o Instituto Jacques Maritain do Brasil, com o valioso apoio do Banco do Estado de São Paulo, conseguiu destinar uma coleção completa dessas obras para algumas universidades brasileiras. Estamos certos das novas inspirações que o contato com o pensamento de Maritain poderá trazer para a solução dos problemas sociais e políticos contemporâneos.

D. Cândido Padim – OSB

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